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Por: Iara Santos Luz

Em tempos de crise e de desemprego - mais de 13 milhões de brasileiros estão sem trabalho segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – (IBGE), Diadema cria condições para que as pessoas voltem ao mercado de trabalho ou que tenham uma renda que lhes garantam a sobrevivência.

Isso acontece por meio da Fundação Florestan Fernandes, escola profissionalizante mantida pela Prefeitura, desde 1996, e que oferece mais de 33 cursos de qualificação e requalificação profissional. A instituição tem ainda outro objetivo que é melhorar a mão-de-obra local e auxiliar jovens na busca do primeiro emprego, além de contribuir com as empresas locais na formação de novos profissionais para atender sua demanda. 

“Todas as capacitações são gratuitas e duram de três a seis meses”, relata a diretora-presidente da escola, Margareti Sanches. Ela explica que os cursos realizados pela Fundação Florestan têm o objetivo de atender a demanda local e auxiliar na inserção do mercado. “Para o primeiro semestre de 2019, voltamos a oferecer o curso de Panificação Básica e implantamos novas formações, como Cozinha Brasileira, Cozinha Europeia e Oriental, porque há espaço para trabalho no setor de alimentação e falta mão-de-obra qualificada”, revela. 

Além da implantação de novos cursos, em 2019, a Fundação Florestan iniciou o primeiro semestre com 1.501 matrículas e a meta é fechar o ano com 3.000 moradores de Diadema concluindo as qualificações.  Em 2017, estudaram na escola técnica 1.787 alunos e em 2018 outros 2.516 fizeram as formações. O crescimento em mais de 40% no número de vagas, nos últimos dois anos, reflete a grande procura pelos cursos e também o esforço do Município em encontrar uma forma de transformar aprendizado em trabalho e renda. “Nosso objetivo é criar oportunidades para que os habitantes de Diadema se qualifiquem para o mercado de trabalho, consigam novas recolocações ou tenham condições de montar seu próprio negócio”, ressalta a diretora Margareti .   

Dados apresentados pela Fundação Florestan mostram que 44,7% das pessoas que frequentam os cursos conseguem trabalho nas áreas em que se formaram. Outros 36,8% retornam ao trabalho em até seis meses, depois de concluídas as capacitações e mais de 46%  buscaram estudar na instituição visando uma nova recolocação profissional.

Além de gastronomia, a Fundação Florestam Fernandes realiza cursos em áreas diversas que abrange jardinagem, beleza, eventos e terapias naturais. Também oferece formações voltadas para o setor do comércio - informática e administração; de serviços – eletricista, polimento automotivo, mecânica de carros e motos; e juventude, voltado para jovens que batalham pelo primeiro emprego. 

Dentro deste universo  ex-alunos conseguem garantir seu sustento e de seus familiares com os cursos que fizeram na escola pública de Diadema. Todos eles realizaram mais de duas formações e são unanimes em afirmar que as capacitações foram de grande valia para a busca de um novo emprego, gerar trabalho e renda ou até mesmo reiniciar a vida profissional em outras áreas.

É o caso de Donald Cezar Campos, 34 anos, que comanda um quiosque de salgados. Depois de 12 anos trabalhando em automação industrial, ele ficou desempregado em 2017 e não conseguiu retornar à sua profissão.  Em 2018, a convite de uma namorada, se matriculou no curso “Iniciação a Culinária Japonesa – Sushiman” oferecido pela escola de Diadema e isso mudou sua vida. 

Ele conta que aprendeu fazer várias receitas da cozinha oriental e que apostou no yakisoba para salvar um negócio familiar. “Como meus pais tinham essa lanchonete, há 18 anos (na Rua Carijós), e ela estava quase fechando, eu resolvi fazer yakisoba para vender. Comecei a vender aos sábados e quando percebi estava comercializando yakisoba todos os dias. O prato se tornou o carro chefe da casa e ainda alavancou o venda de outros produtos da lanchonete”, ressalta. 

Além de salvar o negócio familiar, a meta de Donald para 2019 é utilizar do delivery  para venda de mais yakisoba.  “Estou planejando toda a infra e quero colocá-la em ação nos próximos meses. Também pretendo fazer outros cursos na Fundação Florestan, para que eu tenha mais conhecimento na área, e possa estar sempre inovando. Foi muito gratificante estudar nessa escola”, ressalta o comerciante.

Quem também apostou na gastronomia para ganhar a vida foi Arthur Feitosa, 27 anos, morador do Jardim das Nações.  Ele vende pão de mel, brigadeiro e bolo de pote a domicilio, tarefa que começou a executar depois de perder o emprego em maio de passado. “Eu trabalhava na área administrativa e como gosto de cozinhar, resolvi fazer doces para vender aqui mesmo no bairro onde moro. Durante a semana eu vendo as guloseimas e a partir de sexta-feira e, nos finais de semana, por encomenda, vendo temaki, yakisoba e tempurá”, conta.  

Para receber os pedidos, Arthur tem como ferramenta o Instagram, que lhe garante a clientela e ajuda na divulgação. A inspiração para fazer os pratos orientais também veio do mesmo curso frequentado pelo Donald Cesar, o “Iniciação a Culinária Japonesa”, concluído em dezembro de 2018. “Foi muito importante fazer o curso, porque ele me deu base de como gerir um negócio. Além das técnicas culinárias, também recebemos orientações sobre a apresentação dos doces e salgados, compra de produtos e o cálculo do preço final para venda”, afirma. 

Empolgado em levar seu negócio para frente, Arthur participou de seleção realizada pela escola profissionalizante no início deste ano e foi aprovado para curso de Confeitaria. “Quero continuar me especializando porque posso diversificar minha atividade e isso ajuda a fidelizar a minha clientela”, afirma.     

Muita festa pra decorar – Pra quem gosta de festa e quer uma decoração bacana, chama a Sirlei de Souza Pinto. Ela leva personagens da Disney e da televisão para fazerem a alegria das crianças, utiliza ornamentos específicos para eventos como casamentos, batizados, bodas de ouro, aniversários e deixa com visual exclusivo até chás de bebês. Shirlei atua com decoração de eventos e festas há mais de quatro anos e está cada vez mais difícil dar conta dos pedidos.

Em setembro de 2014, a história de Shirlei não era bem esta. Trabalhando com assistente de venda, com carteira assinada, ela foi demitida do emprego. “Eu tinha 13 anos de empresa, faltavam apenas três anos para eu me aposentar e de uma hora para outra fiquem sem salário e sem emprego. Como já fazia o curso de “Decoração de Festa”, na Fundação Florestan, resolvi entrar de cabeça na nova profissão e deu certo. Hoje estou aposentada e ganho o suficiente para manter as minhas despesas pessoais e tocar a minha vida”, diz.

Shirlei conta que começou decorando a festa de aniversário do filho. “Comecei no ambiente familiar a aos poucos fui formando o meu acervo de trabalho. Fiz panfletos e usei do boca a boca e de amigos para divulgar o meu trabalho e hoje tenho até página no facebook”, ressalta a decoradora que também atua com locação de peças para eventos. É com gratidão que Shirlei relembra da sua entrada na escola profissionalizante de Diadema. “Como o curso era muito concorrido eu tive de me inscrever duas vezes para conseguir a vaga. Mas valeu apena! Tive ótimos professores, excelentes colegas e aprendi muito”, revela.    

Outra ex-aluna da Fundação Florestan Fernandes que também é grata com o que aprendeu na escola é a pedicuro calista e massoterapeuta Lúcia Rogéria Araújo Véras de 53 anos. Como autônoma, há nove anos, ela realiza atividades profissionais, na área de bem estar e da beleza, que garante o seu sustento de seus familiares. 

Não fugindo a regra, foi depois de perder o emprego, numa indústria metalúrgica, que Lúcia buscou os cursos profissionalizantes da escola de Diadema. “Eu estava desempregada, vivendo de bicos, e isso é muito ruim, porque um dia você tem dinheiro, mas no outro não. Uma cunhada me falou dos cursos da Fundação Florestan, comecei fazendo o de Pedicuro Calista e logo em seguida já estava ganhando um dinheirinho. Ai fiz várias outras formações como estética corporal e facial, manicure, depilação e reflexologia e hoje eu vivo disso”, conta Lucia  que também atende a domicilio e com hora marcada.    

Loja de decoração  - Os cursos da Fundação Florestan Fernandes também serviram de inspiração para Ana Karolina Cavalcanti Braga, 46 anos, mudar de profissão. Foi depois de fazer duas formações oferecidas, gratuitamente, pela instituição, Jardinagem e AutoCAD, que ela resolveu deixar a área administrativa para montar uma loja de decoração, com mais de cinco mil itens,  no centro de Diadema. 

Hoje quem passa pela Rua Manoel da Nóbrega, logo depois do cruzamento da Rua Graciosa, sentido à Fundação Florestan, chama atenção a fachada de bom gosto de seu estabelecimento. A vitrine composta por mesa com flores coloridas e objetos diversos aguça a curiosidade e é um convite para entrar no comércio. “A aceitação tem sido boa. Os clientes entram na loja e gostam muito”, afirma Karolina. Além da venda de objetos de decoração a loja também realiza projetos de arquitetura e de interiores. 

Inaugurada há menos de dois meses Ana Karolina aposta na melhora econômica do país e na peculiaridade de seu negócio para ir em frente. Sobre as capacitações realizadas na escola pública de Diadema, ela revela que além de inspirarem a abrir o negócio, também a ajudou a se especializar em design de interiores. “Aprendi coisas importantes na Fundação Florestan e foi de grande valia as informações passadas pelos professores. O curso de AutoCAD, por exemplo, se fosse feito na escola particular custaria entre 1,2 mil  e 3,5 mil reais e, no entanto , em Diadema, ele é gratuito. É um incentivo para quem está desempregado fazer as capacitações. Na Suécia é assim. Quando as pessoas ficam desempregadas, o governo oferecem cursos para elas se reciclarem”, finaliza.

 

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