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É na colheita, transporte, centrais de abastecimento, comércio e o consumidor final que acontece o desperdício de 30% de toda produção agrícola no país. Desde a inauguração do Banco de Alimentos, em outubro de 2003, foram 2 mil toneladas de alimentos distribuídos entre as 69 instituições cadastradas. São creches, asilos, associações de moradores, e orfanatos, que produzem as refeições no local ou distribuem para as famílias que preparam os alimentos em casa.

 

A iniciativa ajuda a amenizar os números divulgados pela Organização das Nações Unidas para agricultura e alimentação (FAO/ONU): são 26,3 milhões de toneladas de alimentos que vão para o lixo por ano. Longe das estatísticas está o bom senso de pessoas como o feirante Josemário José da Silva, que doa o excedente de sua banca de legumes e verduras. “Se eu levar para vender no outro dia estraga, então é melhor doar porque o alimento não perde”, fala Silva.

 

Todo alimento coletado passa por análise por técnicos do Banco, seleção, pesagem e empacotamento até seguir para as entidades parceiras. O tempo de estoque nas dependências do Banco é curto. Assim que acionadas, as entidades buscam o alimento que farão parte do cardápio.

 

SOLIDARIEDADE

 

Feirante na Vila Élida, Josemário Silva doa o excedente para o Banco de Alimentos
Josemário desconhece, mas parte de suas doações compõem uma das cinco refeições das 220 crianças que freqüentam a creche Lar do Alvorecer, no Canhema, região Norte de Diadema. As funcionárias da instituição Maria das Neves e Maria Aparecida, com o apoio da voluntária Lia, são as responsáveis pelo preparo do risoto de espinafre. A corrente de esforços pelo bem-estar das crianças conta ainda com a ajuda do voluntário Zezinho, que busca os alimentos no Banco.

 

A economia gerada pelos alimentos doados garante a compra de carne, frango, ovos e embutidos que complementam a alimentação dos alunos durante o mês. A feirante Josefa Adriana de Araújo também compartilha das idéias de Josemário e desde a inauguração do Banco faz doações de legumes e verduras. “Por que jogar fora se eu posso doar e ajudar quem precisa?”, questiona Josefa. E quem precisa agradece com um sorriso no rosto de satisfação pelo prato consumido.

 

Há 14 anos à frente da cozinha do Lar do Alvorecer, Maria das Neves mostra entendimento quanto o assunto é reaproveitamento de alimentos. “Nós servimos bolo de abacaxi, suco de casca e beijinho do bagaço de abacaxi”, diz Neves. A cozinheira é uma das alunas do curso de aperfeiçoamento para cozinheiro industrial ministrado pelo Sesi – Serviço Social da Indústria – em parceria com a Secretaria de Abastecimento e o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à fome.

 

Doações ao Banco são encaminhadas para mais de 60 entidades parceiras

Natal sem fome

 

Com a expectativa de promover um natal feliz, o Banco de Alimentos participa desde 2003 da Campanha Natal Sem fome, idealizada pelo sociólogo Herbert de Souza da ONG Ação da Cidadania. O objetivo é arrecadar alimentos não-perecíveis, já que a maior parte das arrecadações que acontecem durante o ano são de alimentos perecíveis.

 

O espírito de natal que contamina a sociedade nos meses de novembro e dezembro é um convite para a participação popular na corrente do bem. Os postos de arrecadação permanentes ficam nas Unidades Básicas de Saúde, Central de Atendimento, Supermercados Coop e Joanin. Na última edição a campanha atingiu a marca de 37 toneladas de alimentos, em 2006 foram 13, contra 10 em 2005.