Serviços Mais Procurados

“Feliz dia da visibilidade bissexual com B, que não é de biscoito nem de bolacha, para nós que não estamos em cima do muro, não precisamos escolher um lado, não somos ménage de casal”. Essa mensagem viralizou na internet em 2018, por ocasião do dia da visibilidade bissexual, celebrada em 23 de setembro. De autoria da criadora de conteúdo Juliane Rodrigues, a frase define muitos dos preconceitos enfrentados pelas pessoas bissexuais, até mesmo dentro da comunidade LGBT+. A Coordenadoria de Políticas de Cidadania e Diversidade de Diadema convoca a população para o combate à bifobia.

Coordenador da área, Robson de Carvalho destaca que a data é importante para incluir as pessoas bissexuais dentro da própria comunidade LGBT+. “A comunidade bissexual cresceu mesmo com essa invisibilidade dentro da sociedade”, explica. Robson cita que a invisibilidade se dá em diversos níveis e espaços. “Isso acontece por entendermos a sexualidade de forma muito binária e a bissexualidade rompe todos esses tabus. O dia da visibilidade bissexual serve para mostrar essas pessoas não tem que provar sua sexualidade para ninguém. A sexualidade delas deve apenas ser vivida e respeitada.”

Robson lembra que muitas pessoas ainda têm uma visão distorcida e preconceituosa sobre pessoas bissexuais, desde que elas seriam mais propensas à ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), seriam mais infiéis, até que seriam confusas sobre suas preferências afetivo sexuais. “Isso causa um grande dano à saúde mental dessa população”, pontua. Um estudo publicado na revista científica “Journal of Public Health”, em 2015, sugere que em comparação com mulheres lésbicas, as mulheres bissexuais têm 64% mais chance de enfrentar distúrbio alimentar, probabilidade 37% maior de sofrer com automutilação e estão 26% mais propensas a sofrer com quadros de depressão.

“Esses preconceitos e definições muitas vezes dificultam o entendimento da pessoa bissexual, gerando conflitos internos. Por isso ressalto que a aceitação da própria pessoa gera um sentimento libertador. É necessário que todos estudem e aprendam sobre a bissexualidade. O apagamento bissexual leva muitas pessoas a evitarem exames ou esconder sobre seu histórico sexual, o que pode trazer impactos e prejuízos para a saúde física e mental”, conclui.

Para o coordenador, toda a sociedade pode contribuir para mudar esse quadro de preconceito e bifobia, ampliando os espaços de discussões e entendendo que ser bissexual é apenas uma das múltiplas formas de expressão de sexualidade. “Todo mundo tem o direito de ser quem é e todos temos a obrigação de respeitar a identidade de cada um. “Quando aprendemos o significado do respeito todo e qualquer preconceito será eliminado”, cita. “Então, não aceite ser invisível, reaja”, finaliza.

Texto: Aline Melo
Foto: Divulgação/Peter Salanki


Vídeos em destaque